A Tragédia da Festa de Maio
Por: Bruna Aparecida Moraes
Etec (Escola Técnica Estadual) ‘João Maria Stevanatto’
Ana é uma menina que estuda na escola “Sonho Mágico”, em Itapira. Atualmente, está no segundo ano do ensino médio, é muito estudiosa e adora jogar vôlei com seus amigos Felipe, João e Helena. A condição financeira da família não é das melhores; sua mãe vende cachorro-quente para pagar as contas da casa, e Ana a ajuda todas as noites após os treinos de vôlei.
No mês de maio, na cidade de Itapira, acontece uma grande festa que comemora a abolição da escravidão, o famoso 13 de maio. No evento, há barracas de comida, bebida, panelas e meias, brinquedos como carrinho de batida, tobogã e roda-gigante. Tem samba e a tradicional congada para mostrar a importância desse feriado para a população itapirense.
Ana vai todos os dias na festa para ajudar a sua mãe nas vendas e já aproveita Ana vai todos os dias à festa para ajudar a mãe nas vendas e aproveita para andar um pouco e se divertir. Na escola, só se fala sobre a festa de maio. Na sexta-feira, Ana tinha combinado com os amigos de se encontrar às 19h em frente ao tobogã para andar nos brinquedos, já que sua mãe tinha lhe dado uma folga. Ana confirmou com Felipe, João e Helena. Todos se encontraram em frente ao tobogã. As horas passaram sem que percebessem; se divertiram demais e foram a quase todos os brinquedos. Só faltava a roda estrela.
Felipe estava todo empolgado e disse:
— Vamos na roda estrela agora?
— Acho que eu não quero ir, não! — respondeu Ana.
— Eu tenho medo, mas se vocês quiserem podem ir! — disse Helena.
— Eu até iria com vocês, mas estou com muita fome... — falou João.
Felipe foi mesmo assim. Ficou na fila esperando, enquanto Ana, Helena e João subiram para as barracas comprar um lanche. Passou um bom tempo e Felipe não voltou. Preocupados, os três amigos foram procurar por ele no brinquedo. Até que se depararam com um grande acidente: três cabines da roda estrela se soltaram enquanto funcionava.
Todos que passavam por ali se aglomeravam para saber o que havia acontecido.
Ana foi perguntar a um policial que estava presente o que havia ocorrido. O policial explicou que os parafusos das cabines haviam se soltado e que ele sabia que uma mãe e uma filha, um menino de 16 anos e um casal, seriam as vítimas do acidente. Todos foram levados para o hospital.
Ao ouvir o policial dizer que havia um menino de 16 anos, parecia que tudo em sua volta congelou. Ela correu para contar a seus amigos e eles saíram andando pela festa inteira perguntando se alguém havia visto Felipe. Pediram para a mãe de Ana colher informações com os clientes.
Depois de duas horas, sem notícias, Ana tomou coragem e decidiu ir ao hospital municipal, que fica ao lado da festa, para tentar achar o menino.
Chegando ao hospital, Ana e os amigos encontraram os pais de Felipe chorando muito, dizendo que o filho sofreu um grave acidente e precisaria passar por uma cirurgia. Os três amigos ficaram arrasados com a notícia. Quem imaginaria uma tragédia dessas?!
Na cabeça de Ana passaram várias perguntas: o que será que vai acontecer com Felipe? Será que ele vai ficar bem? E a festa de maio? Será que vai acabar? Para responder a essas perguntas, só o tempo poderia dizer.
Depois de sete dias, Felipe realizou a cirurgia e estava em recuperação. Os dias não estavam sendo fáceis na escola “Sonho Mágico”. Todos estavam tristes e sentindo muito a falta do amigo, perguntando sobre ele todos os dias aos pais. Não havia notícias sobre o que aconteceria com a festa nos próximos anos.
Finalmente, Felipe teve alta. Desde então, todas as tardes Ana ia à casa dele para visitá-lo. Um certo dia, percebeu que ele estava para baixo e teve a ideia de organizar uma surpresa junto com os amigos para animá-lo.
No dia seguinte, os amigos falaram com a sala para gravarem um vídeo desejando melhoras. Também fizeram uma vaquinha para comprar uma cesta com chocolates para ele. Todos apoiaram a ideia e colocaram em ação.
À tarde, foram João, Helena e Ana até a casa de Felipe.
— Oi, Felipe, temos uma surpresa para você! — disse Ana, toda empolgada.
Colocaram o notebook na cama dele e passaram o vídeo que os colegas tinham feito, entregando a cesta. Após a surpresa, o menino estava com um rosto mais contente! Agradeceu e disse estar muito mais feliz.
Então, todos tomaram um belo café da tarde na casa de Felipe, conversando e jogando jogos de tabuleiro.
Logo saiu a grande e esperada notícia — o mistério tinha acabado.
— Saiuuuu!!! — gritou Ana.
— Do que está falando? — questionou Helena.
— Saiu a notícia que esperávamos. Estão dizendo que a festa de maio continuará, porém sem os brinquedos — explicou Ana.
Ficaram felizes e tristes com a notícia: tristes porque não haveriam mais brinquedos e, portanto, os riscos de acidente diminuiriam; e felizes porque a festa não iria acabar. Ainda teriam as deliciosas barracas de comidas, as vendas, a congada e outras atrações que fazem da festa de maio a mais tradicional de Itapira.
Afinal, a tradição não poderia acabar, especialmente pelo seu importante significado. Foram tantas batalhas para conseguir a abolição da escravatura! Sua comemoração e lembranças não poderiam acabar simplesmente.
Que vivam as memórias de um passado de lutas e conquistas pela igualdade!
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